Blog da Clínica Queiroz

Glaucoma: por que a doença pode avançar sem sintomas?

Glaucoma pode avançar sem sintomas e afetar o nervo óptico. Entenda sinais de alerta, exames, pressão ocular e quando procurar avaliação.

Clínica Queiroz 03/11/2025 10 min de leitura
Glaucoma: por que a doença pode avançar sem sintomas?

O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico, estrutura responsável por levar as informações visuais do olho ao cérebro.

Ele é conhecido como uma doença silenciosa porque, em muitos casos, não causa sintomas nas fases iniciais. A pessoa pode enxergar bem, trabalhar, dirigir e ler normalmente enquanto alterações começam a acontecer de forma progressiva.

O risco é justamente esse: quando a perda de campo visual é percebida pelo paciente, parte do dano ao nervo óptico já pode estar estabelecida. Por isso, o acompanhamento oftalmológico é essencial, especialmente para quem tem fatores de risco.

O que é glaucoma?

Glaucoma é um grupo de doenças que causam dano ao nervo óptico. Esse dano pode levar à perda progressiva do campo visual e, sem acompanhamento adequado, comprometer a visão de forma importante.

A pressão intraocular elevada é um fator de risco importante para o glaucoma, mas não é o único ponto avaliado. Existem pessoas com pressão ocular alta que não têm glaucoma, assim como existem casos de glaucoma com pressão dentro da faixa considerada habitual, situação conhecida como glaucoma de tensão normal. A avaliação do risco depende do conjunto de achados do exame, não apenas de um número isolado de pressão.

Na prática, o oftalmologista observa a pressão ocular, o nervo óptico, a espessura da córnea, o campo visual, exames de imagem e o histórico do paciente.

Por que o glaucoma é perigoso?

O glaucoma é perigoso porque pode evoluir sem dor e sem sinais evidentes no começo.

Na forma mais comum, a perda visual costuma ocorrer de maneira lenta e periférica. Isso significa que o paciente pode não perceber alterações até que a doença esteja mais avançada.

Outro ponto importante: a visão perdida por dano glaucomatoso geralmente não é recuperada. O objetivo do diagnóstico e do tratamento é reduzir o risco de progressão e preservar a visão que ainda está funcional.

Por isso, o glaucoma não deve ser acompanhado apenas quando surgem sintomas. Ele precisa ser rastreado e monitorado com exames adequados.

Pressão ocular alta sempre significa glaucoma?

Não.

A pressão ocular alta aumenta o risco de glaucoma, mas não confirma a doença sozinha. Para diagnosticar glaucoma, o oftalmologista precisa avaliar se existe dano compatível no nervo óptico e/ou alterações no campo visual e em exames complementares.

Também é possível ter glaucoma mesmo com pressão ocular dentro da faixa estatística habitual. Por isso, a pergunta mais importante não é apenas “qual foi a pressão?”, mas:

Como está o nervo óptico e o que os outros exames mostram?

Essa explicação é essencial para evitar dois erros comuns: achar que toda pressão elevada é glaucoma ou acreditar que pressão “normal” elimina completamente o risco.

Quais são os principais tipos de glaucoma?

Existem diferentes tipos de glaucoma. Os mais conhecidos são:

Glaucoma primário de ângulo aberto

É a forma mais comum. Costuma evoluir lentamente e, nas fases iniciais, geralmente não causa sintomas perceptíveis.

Glaucoma de ângulo fechado

Pode ocorrer quando a drenagem do líquido interno do olho é bloqueada de forma mais súbita ou estreita. Em alguns casos, pode causar dor ocular intensa, olho vermelho, halos ao redor das luzes, náusea e piora visual. Esses sintomas exigem avaliação urgente.

Glaucoma secundário

Pode estar relacionado a outras condições, como inflamações, traumas, uso de corticoides, cirurgias prévias ou alterações oculares específicas.

Glaucoma congênito

É raro e aparece desde o nascimento ou nos primeiros anos de vida. Deve ser avaliado por especialista.

Quais sintomas podem indicar glaucoma?

Na maior parte dos casos, principalmente no glaucoma de ângulo aberto, não há sintomas no início.

Quando a doença avança, podem surgir:

  • perda gradual da visão periférica;
  • dificuldade para perceber objetos nas laterais;
  • sensação de visão “fechando” em fases avançadas;
  • piora visual progressiva.

Já dor forte no olho, olho muito vermelho, halos ao redor das luzes, náusea e perda visual rápida podem indicar uma situação aguda e precisam de atendimento oftalmológico com urgência.

O ponto central é: esperar sintomas não é uma boa estratégia para detectar glaucoma.

Quem tem maior risco de desenvolver glaucoma?

Alguns fatores aumentam a necessidade de acompanhamento mais atento:

  • idade acima de 40 anos;
  • histórico familiar de glaucoma;
  • pressão ocular elevada;
  • miopia alta;
  • uso prolongado de corticoides;
  • alterações no nervo óptico;
  • diabetes e outras condições sistêmicas, conforme avaliação médica;
  • trauma ocular prévio;
  • cirurgias oculares anteriores;
  • diagnóstico de glaucoma em um dos olhos.

Ter um fator de risco não significa que a pessoa terá glaucoma. Mas significa que ela deve conversar com o oftalmologista sobre a frequência ideal de acompanhamento.

Como é feito o diagnóstico de glaucoma?

O diagnóstico de glaucoma não depende de um exame isolado.

A avaliação pode incluir:

  • tonometria, para medir a pressão intraocular;
  • paquimetria, para avaliar a espessura da córnea;
  • gonioscopia, para observar o ângulo de drenagem do olho;
  • exame do fundo de olho e avaliação do nervo óptico;
  • campo visual computadorizado, para identificar alterações funcionais;
  • OCT, para analisar o nervo óptico e as fibras nervosas da retina;
  • retinografia, quando indicada para documentação e acompanhamento.

Esses exames ajudam a responder três perguntas principais: existe dano no nervo óptico? Há perda funcional no campo visual? A doença está estável ou progredindo?

Como o glaucoma é tratado?

O tratamento do glaucoma tem como objetivo reduzir ou controlar a pressão ocular para diminuir o risco de progressão da doença.

As principais opções incluem colírios, procedimentos a laser e cirurgia. O National Eye Institute descreve medicamentos, laser e cirurgia como opções usadas no tratamento do glaucoma, conforme o tipo da doença e a necessidade do paciente.

Colírios

Os colírios são muito usados no tratamento do glaucoma. Eles podem ajudar a reduzir a produção do líquido dentro do olho ou melhorar sua drenagem.

O uso precisa ser contínuo e correto. Pular doses, interromper o tratamento ou trocar colírios por conta própria pode prejudicar o controle da doença.

Laser

Em alguns casos, o laser pode ser indicado para ajudar no controle da pressão ocular ou tratar situações específicas relacionadas ao ângulo de drenagem do olho.

A indicação depende do tipo de glaucoma, dos exames e da resposta ao tratamento.

Cirurgia

A cirurgia pode ser considerada quando colírios e/ou laser não conseguem controlar a pressão ocular de forma suficiente, quando há progressão da doença ou quando o risco de perda visual é alto.

Ela não tem como objetivo recuperar visão já perdida, mas ajudar a proteger o nervo óptico contra novas perdas. Quando medicamentos e laser não são suficientes, o médico pode recomendar cirurgia, segundo orientação do National Eye Institute.

Glaucoma tem cura?

Glaucoma geralmente não é tratado como uma doença “curável”, mas sim como uma condição crônica que precisa de controle e acompanhamento.

Com diagnóstico adequado, tratamento correto e consultas regulares, muitos pacientes conseguem manter a doença controlada por longos períodos.

O problema maior é abandonar o acompanhamento porque “a visão está boa” ou porque “não sente nada”. Justamente por ser silencioso, o glaucoma exige constância.

Quando procurar avaliação para glaucoma?

Você deve procurar avaliação se:

  • tem histórico familiar de glaucoma;
  • já mediu pressão ocular alta;
  • foi informado de que tem nervo óptico suspeito;
  • usa ou usou corticoide por tempo prolongado;
  • tem mais de 40 anos e não faz consulta oftalmológica regular;
  • percebe perda de visão periférica;
  • apresenta dor ocular intensa, olho vermelho, halos ou perda visual súbita;
  • já tem diagnóstico de glaucoma e está sem acompanhamento.

Quanto mais cedo o glaucoma é identificado, melhor é a chance de controlar sua evolução.

Agende uma avaliação de glaucoma

O glaucoma pode avançar sem sintomas, mas pode ser acompanhado com exames e tratamento adequados.

Agende uma avaliação na Clínica Queiroz Oftalmologia para medir a pressão ocular, avaliar o nervo óptico e entender se há necessidade de acompanhamento para glaucoma.

Agendar avaliação de glaucoma


Perguntas frequentes

Glaucoma tem cura?

Em geral, o glaucoma é uma doença crônica. O tratamento busca controlar a pressão ocular e reduzir o risco de progressão.

Pressão ocular alta sempre é glaucoma?

Não. Pressão ocular alta aumenta o risco, mas o diagnóstico depende da avaliação do nervo óptico, campo visual e outros exames.

Existe glaucoma com pressão normal?

Sim. Existe glaucoma de tensão normal, em que há dano ao nervo óptico mesmo com pressão dentro da faixa estatística habitual.

O glaucoma causa sintomas no começo?

Na maioria dos casos, não. Por isso, exames regulares são importantes, especialmente em pessoas com fatores de risco.

Glaucoma pode causar cegueira?

Sem diagnóstico e acompanhamento adequados, o glaucoma pode levar a perda visual importante. O objetivo do tratamento é reduzir o risco de progressão.

Quem tem glaucoma precisa usar colírio para sempre?

Muitos pacientes precisam de tratamento contínuo, mas a conduta varia conforme o tipo de glaucoma, estágio da doença, pressão-alvo e resposta ao tratamento.

Cirurgia de glaucoma recupera a visão perdida?

Em geral, não. A cirurgia busca controlar a pressão ocular e evitar progressão, mas não recupera dano já estabelecido no nervo óptico.

Saúde Ocular

Precisa de avaliação com um Oftalmologista?

Entre em contato com a equipe da Clínica Queiroz e agende sua consulta ou exame.

Agendar pelo WhatsApp Atendimento rápido e humanizado

Veja também

Capa do artigo: Cirurgia de glaucoma: quando ela é indicada e quando o colírio não é suficiente?
Cirurgia de glaucoma: quando ela é indicada e quando o colírio não é suficiente?

A cirurgia de glaucoma pode ser indicada quando colírios ou laser não controlam a pressão ocular. Entenda objetivos, tipos e cuidados.

Leia Mais
Capa do artigo: Derrame ocular: quando se preocupar com a mancha vermelha no olho?
Derrame ocular: quando se preocupar com a mancha vermelha no olho?

Derrame ocular pode assustar, mas nem sempre é grave. Entenda o que causa mancha vermelha no olho e quando procurar o oftalmologista.

Leia Mais
Capa do artigo: Pressão ocular 19, 21 ou 22 é alta? Entenda quando o valor precisa de avaliação
Pressão ocular 19, 21 ou 22 é alta? Entenda quando o valor precisa de avaliação

Pressão ocular 19, 21 ou 22 é alta? Entenda por que um número isolado não define glaucoma e quando procurar avaliação oftalmológica.

Leia Mais